As “mortalhas” invadiram o Circuito Shopping Barra.

Foto expo Irley - Pinel Y

Agora, dia 9 de março, termina a exposição de “mortalhas” no Shopping Barra, no Barra Gourmet, novo ambiente no primeiro piso.

São 38 peças em tamanho natural reproduzindo fotos das fantasias originais. Além das mortalhas, que predominam, coloquei outros estilos de fantasias desse período para contextualizar. “Macacões”, “kimonos”, além dos primeiros abadas e outras experiências, compõem o conjunto da exposição.

Foto expo alex 01 Foto expo alex 03 Foto expo Beto Almeida 03 Foto expo Irley 06 Foto expo Irley 02 Foto expo Irley 03 Foto expo Irley 05

Essa exposição não seria possível sem o apoio da Uranus 2 (Pedro Dourado, Eduardo Torreão, Michelle…), que produziu as peças; da  Skol, que também patrocinou; da NER e Durval Lelys pelo apoio junto a Ambev; do Shopping Barra, por ceder seu espaço (Gilson, Karina, Gabriela); de Manno Góes, Andrezão, Ricardo Chaves e todo o Alavontê, pela ideia e provocação do evento; de Luciene Maia (Central do Carnaval) por viabilizar as fotos das fantasias; de Ivan Erick, grande fotógrafo e parceiro; de Paulinho Sfrega, pelo apoio incondicional; de Tiago Nunes, Xaline, Irley, Vita e Tiago, Val, Bia, Luiza e Dudu, que foram nossos modelos voluntários; do jornal A Tarde, Eduardo e Renato Linhares; e, em especial, à minha mulher.

Confiram as fotos e até a próxima.

Foto Gabriela Simões - beijoMortalhasFoto Gabriela Simões

Dom Bell.

Dom Bell I copy

Desde a primeira vez que estive com o cara, e lá se vão 34 anos – foi nos preparativos do Carnaval de 1980 – a imagem daquele barbudo magrelo não deixou dúvidas de que nada do que fazia era à toa. Numa manhã, com tinta dos pés à cabeça, dava os últimos retoques na pintura do trio elétrico do Bloco Traz-os-Montes, quando ele apareceu e se apresentou como integrante da Banda que iria tocar para o bloco. Em seguida me perguntou se dava para pintar, em algum lugar daquele trio, o nome dos integrantes do grupo.  Disse que sim e, prontamente, comecei a pintar nome por nome citado por ele: “Aderson, Gato, Rey, Wadinho…” e quando citou o dele, eu tasquei um “Béu”. Ele corrigiu na hora: “é com ‘L’ no final”. Passei o solvente e troquei as letras. Ele parou um instante, virou a cabeça de lado, como faz até hoje quando está idealizando, e disse: “ponha mais um ‘L’ ai no final. E pela primeira vez, tava lá, num trio, o nome “Bell”.  Até hoje tenho essa dúvida se ele decidiu por essa grafia naquela hora ou já se escrevia seu apelido assim. Mas naquele episódio ficou claro uma marca indelével dele: nada em sua carreira é por acaso, é tudo pensado estrategicamente.

Quando a Banda Scorpius saiu do Traz-os-Montes e partiu para construir seu próprio trio, agora já como Chiclete com Banana, Bell me convidou para decorá-lo. Ouvi de alguém que tomasse cuidado com a questão comercial, mas no primeiro dia de trabalho, quando acabei de estacionar minha TT 125cc ao lado do trio, ele apareceu e me passou um maço de dinheiro, pagando o acertado de uma só vez e antecipado. Indaguei se ele não queria ver primeiro o resultado e ele disse que não precisava, tinha certeza sairia legal. Surpreso, porque ninguém havia me pago antecipadamente por um serviço, comprei o leite do filhote recém nascido e fiz esse mesmo trabalho, decorar seu trio, pelos 10 anos seguintes.

Tive o privilégio de estar bem perto naquele início quando Bell era quase um cover de Moraes Moreira, como ele mesmo assumiu publicamente. Vi depois a banda seguir a trilha do “galope” – já com Missinho em lugar de Aderson, que foi o guitarra baiana do primeiro ano – e eu, particularmente, não curtia muito aquele ritmo acelerado. Sempre fui lerdo. Preferia o ijexá de Luiz Caldas, mais suingado e mais contemporâneo. Percebo que nesse período, por volta do final dos anos 1980, o Chiclete viveu um certo ostracismo, principalmente por conta de suas apresentações passarem a ser associadas a truculência de uns poucos e fanáticos seguidores. Nesse momento, a banda estava na contra mão do que acontecia nos principais eventos de Salvador: as festas que dariam origem a tal axé music.

Quando, por fim, o samba-regue entrou na banda, acho que com o hit “Eu Sou Camaleão, Sou Seu Amor…”, o Chiclete passou a acessar  outros públicos. Sua ida para o bloco “Qual é?”, alternativo no recém criado Circuito da Barra, também foi um sucesso que acelerou esse processo. Depois veio o bloco Nana Banana, que junto com o Camaleão, acabaram por consagrar a banda por mais duas décadas.

Já se passavam muitos carnavais que eu não curtia os dias de quinta, sexta e sábado por conta do exaustivo trabalho de decoração dos trios, quando naquele sábado de 1997, já livre do tranco, resolvi dar uma caminhada por uma Barra ainda muito tranqüila; sai de Ondina até a Barra sem ver um pé de bloco, trio ou qualquer coisa do gênero. De repente uma voz aparece do nada e, de forma quase mágica, vi todas aquelas pessoas se transformarem. O trio ainda nem aparecera, estava por trás do Edifício Oceania, mas as luzes já refletiam no antigo Farol a sinalizar a metamorfose. Em seguida a voz entoou, ainda sem o instrumental, “menina vem me dar seu amor…”. Daí pra frente foi uma apoteose. Eu, com todas as minhas restrições ao estilo galopeiro da banda, me rendi ao que ouvi e ao que vi. Fui pra casa e pintei um quadro – nunca pinto quadros e nem sei por onde anda esse – em homenagem ao que imaginei ser a reencarnação de Baco: o estrategista tinha virado o Deus da Folia.

Anos depois, numa premiação do carnaval, o Troféu Dodô & Osmar, promovido pelo Jornal A Tarde, vi uma multidão vaiar Bell durante sua premiação, enquanto ovacionavam Ivete. Pensei como podia alguém despertar tanta raiva, se ainda era seguido por multidões durante os carnavais. Meu sentimento era que havia virado politicamente correto criticá-lo: o Bell estrategista, está longe de ser um bom marqueteiro. Resolvi, então, fazer uma pesquisa Aqui no meu blog para avaliar melhor o que acontecia, e fiz a seguinte enquete: “Qual a Melhor Banda ou Artista da História da Axé Music?”. Levando-se em consideração que meu blog não é representativo  (temos pouco mais de 300 mil visualizações desde que o criei em maio de 2010) e que não tenho competência como pesquisador, nesses 3 anos que a enquete ficou disponível para votação, e ainda está, até o momento que escrevo esse post, recebeu exatos 1.392 votos.  O resultado foi  Chiclete em primeiro com 28,52% dos votos, seguidos de Ivete com 14,3, Asa com 12,64, Daniela com 11,57, Cheiro / Márcia Freire com 6,68, Claudia Leitte com 5,78, depois Luiz Caldas, Netinho, Banda Mel…  O resultado fala por si, e pode ser conferido na própria enquete, após efetuado um voto.

A partir de amanhã, Bell, o cara dos dois “eles”, enfrentará novos desafios. Há muito tempo não convivo mais próximo para avaliar se foi estratégica ou não, sua decisão de fazer carreira solo. Mas, certamente, já idealizou tudo, assim como há 34 anos.

À despeito dos que o amam ou odeiam, ninguém pode ignorar um sucesso tão longo; seja em qualquer circunstância ou em qualquer lugar do mundo. Há algo de especial, sim.

Desde a primeira vez que o vi, o achei parecido com aquela pintura clássica de Dom Pedro I. Por conta disso, fiz essa brincadeira acima. Vaidoso como ele é, talvez me xingue. Mas não tem como eu ignorar esse cara que começou junto comigo, num mesmo bloco e num mesmo carnaval. O sucesso dele, naquele já distante 1980, resultou na minha história. Sucesso, Dom Bell.

Dom Bell à rigor copy

Faraó na Folia II

Detalhe das costas da fantasia do bloco Me Abraça (Banda Asa de Águia) para o Carnaval 2014. Com Tiago Nunes no apoio.

Abada Me Abraça vermelho - JPEG ok

Faraó na folia.

Detalhe da fantasia do Me Abraça (bloco da banda Asa de Águia).  Contei com o apoio fundamental de Tiago Nunes.

Abada Me Abraça amarelo - JPEG ok

Fantasias do Cheiro III

Abadá Cheiro 2014 - Terça - baixa ok

Fantasia do Bloco Cheiro – Carnaval de Salvador 2014.

Fantasias Cheiro II

Abadá Cheiro 2014 - segunda - baixa ok

Fantasia Bloco Cheiro – Carnaval 2014.

Ilustrações para o Cheiro I

Abadá Cheiro 2014 - domingo - Baixa ok

Fantasia Carnaval 2014.