Central, um “case” do carnaval.

Marca da Central do Carnaval.Quando Misael Tavares, ex-empresário de Netinho e dono do Bloco Beijo, me disse que procuraria um concorrente para administrar o Bloco Beijo, logo me veio à cabeça mais umas das suas elocubrações. De imediato lhe disse que achava difícil algum outro bloco topar essa empreitada. Porém, ele, irredutível, falou que iria propor a idéia ao Eva, ao Asa (InterAsa) e ao Camaleão. Para minha surpresa, depois dos primeiros consultados declinaram da idéia, o Camaleão topou. Ano seguinte, Misael também conveceu os blocos Crocodilo e Acadêmicas a fazerem o mesmo entregando suas comercializações ao Camaleão. Na visão de meu amigo, ele tinha que se dedicar a carreira de Netinho e da Banda Beijo e deixar o bloco para quem fosse especialísta nisso. Indiscutivelmente, o Camaleão sempre esteve entre as estruturas mais organizadas do Carnaval baiano e provou isso administrando a venda conjunta desses três blocos, além do próprio Camaleão e do Nana Banana.

Passado o carnaval, os “meninos” do Camaleão me chamaram para uma reunião e me contaram sobre um novo projeto deles: criar uma empresa só para administrar a venda de blocos. Não só daqueles que já comercializavam, mas de muitos outros. Precisavam de um nome para essa empresa e já me apresentaram algumas sugestões, dentre as quais “Central do Carnaval”, que gostei muito. Argumentei que por ser um nome auto explicativo teríamos mais facilidade de comunicar um produto inusitado. Afinal, até então, os blocos se comportavam como times rivais no futebol: ou você era Beijo ou Camaleão, ou Eva ou Cheiro…  como explicar esse novo formato? Durante o desenvolvimento da campanha em reuniões com a diretoria, foi se desenhando aquilo que seria ainda mais revolucionário naquela idéia: a venda dos abadás dos blocos, que historicamente sempre foram comercializados num pacote único de três dias de carnaval, agora poderiam ser adquiridos separadamente, ou seja, em vez de três dias do mesmo bloco, o folião poderia, por exemplo, compor seu mix e sair um dia no Camaleão, um dia no Beijo e um dia no Crocodilo. Lógico que uma mudança de paradigma dessa natureza cria tensões e espectativas. Eram muitos anos de tradição, mas a idéia caiu como uma bomba no mercado. Em menos de dois anos, tudo mudaria para sempre na comercialização do carnaval baiano.

É desnecessário dizer que uma idéia dessas só daria certo com uma administração competente. Quem conhece o quarteto Tinho, Quinho, Marcelo e Dolfo, sabe que o sucesso da Central do Carnaval não foi por acaso. É, sem dúvida, o maior case do carnaval baiano.

Curiosidades sobre a marca da Central: muita gente me pergunta se ela foi inspirada num catavento ou no sol, mas o fato é que durante a primeira reunião, onde foi definido o nome da Central, me veio a idéia de vários blocos convergindo para um mesmo ponto, representados graficamente pelos gomos coloridos. Outro fato que virou motivo de brincadeira é que, dentre os nomes sugeridos, havia uma pérola: “Associação Soteropolitana dos Blocos de Carnaval”.

Apesar das incertezass e dificuldades, 10 anos depois, podemos perceber a dimensão alcançada pela ousadia e o consequente  sucesso de uma grande idéia bem administrada.

Parabéns, Central!

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