O primeiro trabalho a gente quer esquecer…

Bloco Traz-os-Montes 1978 - plástico

A idéia era uma cobra com uma maçã, mas como era carnaval...

Verão de 77, Praia de São Tomé, dentro daquele mar maravilhoso, meu amigo Cezar Villas-Boas me apresenta a Guigui, diretor do Bloco Traz-os-Montes, e sugere que eu crie o “plástico” para o carnaval de 1978. Meu pagamento seria um “macacão”, fantasia utilizada pelo bloco naqueles tempos. Pensei então numa imagem que simbolizasse aquela galerinha de 15, 16 anos que saia no Traz-os-Montes e desenhei uma cobra enrolada numa maçã, símbolo mais que manjado do pecado. Entreguei a idéia e esperei. Um belo dia, na mesma praia, Guigui chegou e disse: “…o pessoal adorou, mas já que se trata de um bloco de carnaval, pediu pra ver se você poderia trocar a maçã por uma caneca de chopp.” Lógico que fiz o que eles pediram e garantí minha fantasia. Já no carnaval, ví que o macacão trazia impresso a tal cobra enrolada numa caneca e a pergunta que mais rolou entre os foliões foi a seguinte: “porque da cobra?”… Como ninguem sabia da história original do “pecado”, da maçã, etc, e a galera vendo aquela cobra alí, sozinha, enchendo a cara de chopp, passaram a achar que a “cobra” era o símbolo do bloco, o que terminou por virar realidade. Foi assim, por acaso, que criei meu primeiro sucesso.

Quatro conclusões tirei dessa história que envolveu minha primeira experiência, digamos, profissional: indicação de um amigo vale mais que propaganda; quem manda é o cliente; o acaso também cria; o primeiro trabalho a gente guarda pra não fazer nunca mais nada igual, rsrs…

(pra quem não sabe, “plástico” foi o antecessor do “adesivo”, tipo de propaganda que se prendia nos vidros dos carros)

Dedico esse post a meu amigo de infância, de tantos carnavais, que a vida, numa roubada de cena, nem me permitiu agradecê-lo.  Ave, Cesar!

9 Respostas para “O primeiro trabalho a gente quer esquecer…

  1. Da Rocha, muito legal relembrar essas estorias,muitas das quais tive o prazer de ouvir pessoalmente em nossas prazerosas conversas. Esses acontecimentos sao parte não so da vida profissional desse genio que é “Pedrinho da Rocha”, mas tambem da historia do Carnaval da Bahia. Me lembro, emocionado, do Cesar, que apesar de ter conhecido muito ocasionalmente, me foi “intimo”, gracas as tantas referencias que voce fazia a ele. E aproveito essa oportunidade para declarar, mais uma vez, que sua amizade foi a maior conquista pessoal que o carnaval me proporcionou.

  2. muito bom, pedrinho. me emocionam as historias, as criacoes e suas entrelinhas, as amizades que ilustram o cenario e como sempre o design de vanguarda que refresca tao incriveis memorias! Ave Cesar!

  3. Show! Bom de lembrar…. Eu lembro bem das mortalhas do bloco Beijo… Guardava todo ano elas! Lindas criações ! Parabéns fera!

  4. O Bloco Traz-os-Montes tem algumas outras figuras que devem constar na sua memoria, O gordo do Galpão e Lili o motorista

    • bem lembrado. O gordo do galpao chamava-se Salvador, e era uma grande figura. Lili, motorista, foi depois trabalhar para o Chiclete. Era um engenhoso. Além de dirigir, era quem reformava o trio e dava solucões inesquecíveis como a trava para o eixo traseiro do trio.

  5. Lili ganhou até uma música. “Lili, O Piloto da Alegria”.

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