Da Mortalha ao Abadá: a Involução da Fantasia.

Da Mortalha ao Abadá, uma evolução da fantasia baiana.

A mortalha foi um simbolo de liberdade e igualdade para o folião baiano.

A “Mortalha” surgiu em meio ao louco final dos anos 60. Era uma fantasia prática, barata e irreverente, contrapartida a tantos “caretas” que ainda povoavam um carnaval moldado ao estilo europeu. O careta era o pierrô mascarado; a mortalha era a liberdade descarada. Essa fantasia também tinha um capuz, mas logo o governo militar proibiu as máscaras. As mortalhas trocaram suas cruzes e cores fúnebres pelo colorido psicodélico e frases que expressavam as novas liberdades: sexo, comportamento e drogas. No carnaval era proibido proibir!

Na metade dos anos 70 a mortalha já era vestimenta predileta dos pequenos blocos que não tinham grana para fantasias mais elaboradas. Alguns desses tornaram-se grandes e viraram ícones da folia, com suas mortalhas desejadas e disputadas que combinavam perfeitamente com o ritmo cadenciado das batucadas. Foi o caso do Jacú, Barão, Top 69… Por volta dos anos 80 surgiu também o “macacão”, fantasia simbolo de blocos como o Traz-os-Montes e Clube do Rato, mas a mais nova safra de grupos como o Camaleão, Saku-Xeio e Pinel elevaram a mortalha à condição de unanimidade para os foliões do carnaval de Salvador. Isso até início dos anos 90, quando surgiu o abadá no bloco Eva. Ano seguinte todos os blocos fizeram o mesmo.

Ainda acho que a mortalha foi, de todas, a fantasia mais prática e livre. Podia-se tudo… Representou também um período muito importante da festa e de muitas gerações. Mas, com a introdução do trio elétrico nos blocos, por volta de 1980, o som frenético das guitarras já não combinava com aquela enorme túnica hippie e terminou por decretar, 10 anos depois, o fim da mortalha. O fim da fantasia.

Antes de eu criar o abadá para o Eva, oferecí a idéia para meus tradicionais clientes na época, os blocos Pinel e Beijo, mas nenhum topou a brincadeira. Uns 3 anos depois de criado o abadá, propus, para o mesmo Eva, lançar a idéia de 3 abadás, um para cada dia, mas acharam a operação complicada e não quiseram. Foi a vez do Bloco Cheiro comprar a idéia e proporcionar uma das maiores mudanças de hábito no carnaval: sair um dia em cada bloco, ou melhor, sair um dia com cada banda.

16 Respostas para “Da Mortalha ao Abadá: a Involução da Fantasia.

  1. Pedrinho, seu texto me fez lembrar que meu projeto de conclusão de curso na faculdade foi sobre indumentárias de carnaval. Foi assim que conheci você, que aceitou com uma gentileza que nunca me esqueço, colaborar com o trabalho cedendo uma entrevista sobre o assunto – o que durou uma tarde inteira! Tenho tudo isso registrado em áudio e o trabalho, um dia, quero lhe entregar impresso após uma revisão. Mas, aproveito a oportunidade para reforçar aqui meus agradecimentos e por compartilhar suas experiências com os apaixonados por carnaval baiano e design através do blog.

  2. Pingback: Tweets that mention Da Mortalha ao Abadá: a Involução da fantasia. | Pedrinho da Rocha -- Topsy.com

  3. Pedrinho, parabéns por tudo que faz pelo carnaval baiano, gostaria de saber qual é a sua proxima novidade – um abraço – Kulhé

    • preciso ter mais tempo para tomar umas vodcas com laranja com amigos como vc e Márcio… antes dava para trabalhar e tomar umas, mas o bicho pegou, heheh

      • Pedrinho, no dia que sentar eu voce e Márcio seu Blog vai ter mil informações da nossa história do Carnaval da Bahia, passando pela Caixa D’ Água, Barris, Carlos Gomes, Caminho de Areia e Sussuarana com Tenente Barreto

      • outra coisa, vc viu a foto de Márcio e Misa na Itália aqui no blog? É um dos primeiros posts… tá lá.

  4. Estou acompanhando seu blog e vi a foto, esta viagem para voce deve ser inesquecivél, desde a construção com a Perdigão até o seu desfecho

  5. Comentei também sobre os Traz os Montes, nossas idas ao Galpão do Gordo

  6. Em 1975, saí neste bloco Top 69, curti muito aquele carnaval, passei 3 dias na rua sem ir em casa pra nada, foi muito bom.Amo a minha Bahia!

  7. Da Rocha, acredito que o Kimono, mesmo breve, se encaixa de uma forma diferenciada antes do abadá!!!!

    • oi, Paulo. Diria até que o kimono, de alguma forma, me inspirou no abadá. Para convencer a galera do Eva, na época, a encurtar a mortalha, dei o exemplo do kimono do Cerveja e Cia que era inspirado na indumentária do judô e karatê e, que no caso do Eva, nos inspiraríamos na indumentária da capoeira, daí o nome “abadá”.

  8. sebastião maria

    vc sabe poque é proibida???

  9. sebastião maria

    a mortalha é proibida porque????

  10. Caro Pedrinho, não tenho visto novas postagens nesse blog. É uma pena! abs

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