Um disco que mudou tudo.

Uma capa para história.

Quando Totó,  na minha opinião o maior empreendedor e visionário do carnaval baiano, resolveu produzir o primeiro disco da banda Pimenta de Cheiro – antigo nome da Banda Cheiro de Amor – certamente o mercado da música baiana era completamente diferente do que se tornaria alguns anos depois.

Esse disco acima, gravado com Márcia Freire no vocal e o maestro Zé de Henrique, teve produção local do selo Stalo, de Ricardo Cavalcanti, e foi o primeiro grande sucesso de um formato musical que mais tarde viria a ser conhecido como axé music.

Curiosamente, até a capa ser finalizada, a banda ainda se chamava Pimenta de Cheiro. Na hora de mandar produzir o vinil na gravadora Poligram, Totó, desesperado, me veio com a notícia bombástica de que alguém tinha registrado o nome da banda e ele não poderia mais utilizá-lo, a não ser que conseguisse negociar com o “dono” de registro, o que poderia levar tempo. Sugeri que colocasse, provisoriamente, o nome “Banda Cheiro de Amor”, numa alusão ao nome do bloco e ele topou. Um redator amigo meu, Bonetti, teve uma sacada genial e sugeriu que colocássemos “Pimenta de Cheiro” como nome artístico do álbum, um ardil para manter a associação com o nome original do grupo, enquanto a tal pendenga fosse resolvida. Terminou que o disco vendeu 30 mil cópias – número de sucesso para a época – e o nome da banda ficou pra sempre “Cheiro de Amor”.

Produzi essa foto com meu grande amigo e fotógrafo Carrilho, utilizando um pequeno cromo de 35 mm, sob a luz natural da rua, na Ladeira da Fonte. A pimenta foi comprada num mercado ali no Forte de São Pedro. Na verdade, pimentas, pois “o modelo” é resultado da junção de duas: talo de uma, corpo de outra. O teclado era um Korg e a tecla, para ficar rebaixada, prendíamos com fita durex.  A “armengagem” descolou umas 3 vezes, jogando a pimenta lá pro alto, e cada vez tínhamos que remontar tudo de novo. A verba era quase nada; o sol de Salvador, escaldante; a pressão, pior ainda, mas o trabalho ganhou o Troféu  Caymmi de “Melhor Capa”, e eu e o velho Carrilho rimos muito de tudo aquilo tomando uma branquinha, a de sempre.

12 Respostas para “Um disco que mudou tudo.

  1. roberto gonçalves

    Belas histórias, grandes saudades!

  2. Sensacional, como todas as suas criações.

  3. Pedro Henrique

    Cara. Põe mais histórias e fotos. Infelizmente não pude viver o carnaval dos anos 80/ início 90 onde o carnaval valia a pena. Parabéns!

  4. Deveria lançar um livro, sr. Pedro. Serei o biógrafo: “Pedrinho da Rocha – Design, Carnaval, Histórias”. Brincadeira de lado, essa história do álbum foi perfeita. Para as pessoas que curtem não só o carnaval, mas seu contexto histórico, é um deleite!!!

  5. COMO SOU PAULISTA DE SANTOS, GOSTARIA QUE REMASTERIZASSEM EM CD OS PRIMEIROS ÁLBUNS DA BANDA CHEIRO DE AMOR, COMANDADOS PELA MÁRCIA E KAKO E SÃO ESSES:
    1987: PIMENTA DE CHEIRO;
    1988: SALASSIÊ;
    1989: FESTA;
    1990: SUÍNGUE.

    A GRAVADORA DEVERIA PENSAR PRA REMASTERIZAR E VENDER NAS LOJAS. UMA SAUDADE!

  6. Sensacional!!!! moro em Salvador – Ba, tenho 35 anos, e sou um grande fã e admirador do seu trabalho e das suas obras de arte, Sr. Pedrinho da Rocha! Tenho 35 anos e amo o nosso Axé Music! PARABÉNS pelos seus trabalhos!! =D

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s