Arquivo da categoria: O Livro: Fantasias

Há mais de dez anos penso em escrever um livro que retrate as transformações ocorridas no Carnaval de Salvador nos últimos 30 anos, período em que trabalhei e tive o privilégio, como designer, publicitário e criador, de testemunhar essa história.

Desde 1977, passando pela evolução tecnológica do Trio Elétrico, quase uma reinvenção, o surgimento e fortalecimento dos blocos de trio, da axé muisic e a consolidação das grande estrelas nesse cenário.

Sem muita pretenção, vou tentar, nesse espaço, organizar o que seria esse futuro livro, postando alguns artigos e imagens que selecionei e guardei durante esse tempo.

“Fantasias” é o nome provisório do livro, dado por meu querido amigo Bonetti.

É isso aí.

Uma história de Natal.

Cartão Cristo PinelA intenção desse cartão de Natal do Bloco do Pinel era a melhor possível: chamar atenção para o verdadeiro sentido da festa que é o nascimento de Cristo. Mas de boas intenções, como se diz por ai, o inferno está cheio. Era início dos anos 90, acho que 1993, e eu acabara de iniciar na computação gráfica. Aliás, essa foi a minha primeira ilustração num computador, no programa paintbrush, imaginem. Empolgados com a ideia, eu e Julio Mota, co-autor do texto e, na época, diretor do Pinel, resolvemos levar a ideia para um outdoor e, evidente, a mensagem teve que ser encurtada porque todo esse texto não caberia numa mídia de rua. Então, resolvemos publicar só a imagem e o título “Ele também foi chamado de louco” e, óbvio, – hoje em dia para mim – que aquilo tinha tudo para criar polêmica. Mas, naquele tempo, achávamos que podíamos tudo. Dias depois, veio a resposta: através de matéria na capa do Jornal A Tarde, o Arcebispo Dom Lucas Moreira Neves excomungou os criadores daquela blasfêmia, daquele Cristo psicodélico, e, implicitamente, nos condenou ao fogo do inferno. Mas não foi só isso, alguns outdoors também foram queimados por evangélicos. E toda essa confusão porque, num desses papos inúteis de cachaça, dois pretensiosos acharam um absurdo que toda mensagem natalina só trouxesse imagem de Papai Noel e árvore de Natal. Depois de atingir o perfeito teor etílico, tomamos a decisão de mudar isso… e o mundo, claro.

Passado uma ano dessa história, junto com a garotada que trabalhava nos blocos, resolvemos organizar uma festa beneficente reunindo os grandes nomes da música de Salvador. A festa se chamaria Axé Natal e ocorreria no Club Bahiano de Tênis. Pela primeira vez cantariam juntos Durval do Asa de Águia e Bell do Chiclete, Netinho, Ricardo Chaves e Márcia Freire, do Cheiro. Também Margareth Menezes e Vânia Abreu participaram. Foi um sucesso. Arrecadamos em torno de 14 mil latas de leite em pó. Porém, para ceder o Club Bahiano de Tênis sem nenhum ônus, Luiz Catarino, o então presidente, me pediu uma condição: que metade do que fosse arrecadado, doássemos para a Fundação Dom Avelar. E assim o fiz. O responsável pela Fundação era ninguém menos que Dom Lucas Neves, o excomungador, e ele, óbvio, não tinha a menor ideia que o idealizador da festa era o mesmo a quem ele havia excomungado ano antes. À pedido dele, deixamos as doações na sala da Casa Episcopal, no Campo Grande. Acho que o Arcebispo não tinha ideia do que seriam 7 mil latas de leite mal arrumadas dentro de caixas de papelão. O saudoso Elmar me trouxe uma foto da montanha de caixas que deixou na sala de Dom Lucas. Dias depois, recebi uma carta do mesmo me agradecendo pela iniciativa do evento e pelos donativos.

Até hoje tenho a matéria do jornal onde ele me excomunga e a carta onde ele me agradece as doações. Não sou religioso, mas por vias das dúvidas, vou pedir que enterrem comigo. Vai que lá tem um STF.

40 Carnavais de uma geração.

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Em 2017 completo 40 anos que trabalho para a área de eventos e o Carnaval de Salvador. Talvez, por isso, muitos me conheçam como o cara que inventou o abada. Lamento dizer, porém, que 90% do meu trabalho foi muito mais duro do que lúdico: foi de publicitário. E vida de publicitário é foda. Também atuei como designer para trios elétricos, palcos, capas de discos e CDs. Enfim, para quem conhece a área, uma vida correndo atrás da pauta, e do cliente.

Mas, como nem tudo são espinhos, tive o privilégio de vivenciar todo o frenesi cultural dos anos 80 e 90 em torno das festas em nossa cidade, o que, dentre outros subprodutos, gerou um monte de bandas e artistas da música carnavalesca baiana que, mais tarde, lá por 1991, passou a ser chamada de axé music.

Muito além dessas celebridades, porém, o Carnaval Baiano foi feito por foliões, e conviver com eles foi a maior alegria que tive nesses anos todos. Em especial com foliões embriagados de seus sonhos dionísicos numa terça-feira de carnaval de fundar um bloco. No popular: “botar seu bloco na rua!”.  Aqueles que não faliram no primeiro carnaval, depois de venderem o carro e torrarem o FGTS, se tornaram empreendedores. Alguns, com o tempo e o tempero da grana, tornaram-se mais empresários que foliões; mas a maioria nunca deixou de lado seus delírios momescos. Estes fizeram a diferença.

Também temos aqueles que, como eu, estiveram nos bastidores e contribuíram para formatar o maior produto de exportação baiano na segunda metade do século XX: a indústria do entretenimento – hoje tão copiada e disseminada pelo Brasil inteiro, em todos os gêneros musicais. Para quem pode estar achando que é exagero meu, basta citar nomes como João Américo, Jorge Correa, Wilson, Bira, Fernando, Marquinhos, André Rossi para lembrarmos que esses caras desenvolveram toda uma tecnologia inédita de som em cima de uma caminhão. Na produção de eventos, nomes como Totó, Tinho, Manoel Castro, Eudes, Simas e Sérgio Quixadá, Bahia, Quinho, Misael, Márcio, Isson, Julio Mota, Fred Boat, Marcelo Brasileiro, Ricardo Lelys, Armando, Luciene, Alice Coelho, Guto Brandão, Wilsinho, Ricardo Martins, Hunfrey, Jorginho Sampaio, Renato, Luneta, Bernardo, Alano, Luciano Sotelino, Ivanzinho, Paulista, Ari, Suka, Elmar, os irmãos Cal, Sfrega, Xoxoto, Cid do Cerveja, Cid Vianna, Buçanha, Lulinha, os Brunos, Rodrigo, Cascatas, Israel, Chiquinho…faltou um monte de gente, não dá pra falar todos… mas, fizeram escola.

Outra coisa inesquecível foi conviver com as gerações de foliões durante os maiores verões que essa cidade já viveu: anos 70, 80 e 90, quando a magia tomava conta das pessoas desde as festas que antecediam o carnaval  – Bonfim, ensaios dos blocos, encontros na Barra – até o ritual de pegar a fantasia. Tudo era mágico, até os comercias da tv… “…telebahia, fala meu irmão!”.

Mas isso é passado, bom pra quem viveu. Hoje, a bola da vez é o funk, o sertanejo e o pagodão. E vamos nessa!

Vamos lá: a Prefeitura de Salvador, através da Saltur, e com apoio da Skol, irá me prestar uma homenagem dia 18 de fevereiro, dia do Fuzuê, com um bloco de fanfarra onde um pequeno grupo de amigos e todos aqueles que quiserem se juntar à nós – é de graça –  vamos comemorar essa história de Ondina até a Barra.

No mesmo dia, mas antes do bloco, teremos um esquenta: a “Festa do Sarapa”, patrocinado por amigos, clientes e ex-clientes…

EXPOSIÇÃO. Durante o mês de fevereiro – acredito que a partir do dia 8 –  o Salvador Shopping me presenteou com uma mostra onde exponho criações desses 40 anos. Teremos centenas de cartazes antigos, capas de CDs e discos, abadas, mortalhas, projetos de trios elétricos e fotos. Será uma oportunidade para observarmos a evolução da produção do entretenimento em Salvador; desde o amadorismo dos cartazes feitos à mão no final dos anos 70 ao surgimento da tecnologia digital. Dos trios elétricos decorados à mão, com tinta, aos trios elétricos totalmente revestidos da tecnologia do Led. Também exporemos fantasias como as mortalhas, os macacões e os abadas.

AGRADECIMENTOS. Tudo isso só foi possível com o apoio de parceiros como Bruno Cássio que me tirou da inércia nessa história; de Isaac Edington e Eliana Dumet, da Saltur, que apostaram, junto com o Prefeito, nessa celebração; de Armando que tem sido um viabilizador geral; de Armandinho Brasil e do Salvador Shopping pela exposição; da AMBEV; de Clínio e de todos do Camarote Planeta Band que me cederam um espaço; de Paulinho Sfrega; de Alex, fiel escudeiro; Val Peruna, grande arquivo do carnaval… Eudes, Quinho, Renato, Guto Brandão, Misael e quem vier por que a tarefa é grande.

Eterna gratidão também a todos os designers, diretores de arte, redatores (as) e ilustradores com quem tive o privilégio de ter como colaborador na minha empresa. Beto Carrilho, Helderley, Irley, Ricardo Campelo, Rogério (redator), Samuka, Juliana, Katia Flávia, Rogèrio Tedesco, Éfren, Lauro Jr, Rodrigo Barros, Bruno Cássio, Gabi Dias, Alex Oliveira, Nelson Castro, Cícero, Gabriela Martinez, Patrick, Val Peruna, Henrique, Guto, Tiago Nunes, Mari Vilas e, (ainda faltam uns três) minha eterna secretária “Adriana”.

Obrigado a todos.

Uma vez Raul Seixas declarou de que não era um cantor, mas um ator. Pegando carona nesse nosso querido maluco beleza, diria que nunca fui publicitário, artista plástico ou designer. Só um contador de história; ilustrada.

 

 

CrocoFestas! Um cartaz para quem não trabalha.

Cartaz criado nos anos 90 para divulgação do Bloco Crocodilo com Ricardo Chaves. A inspiração foi o lado festivo dos baianos: uma festa para cada dia.

Cartaz Crocodilo 1994

Um Cristo dos anos 80

Um Cristo do século XX

Uma ilustração com a cara dos anos 80.

Pelos anos 80, acho que em 1984, fiz essa ilustração com canetas hidrográficas tipo Pilot. Revelador de um período nebuloso e ingênuo.

John Lenon, Andropov da URSS, Papa João Paulo, Ronald Reagan, Fernando José (radialista e depois prefeito de Salvador), uma palestina e outras imagens que povoavam minha cabeça naquela década… Revelador.

A ideia de injustiça, incompreendidos e manipulação da informação se repete em toda a história da humanidade. Era um pouco isso.

Encontros de Trios – muito mais que 30 anos.

Encontro de Trios - Moraes

Os encontros de Trios existem há muitos anos, desde os anos 1970. Mas não havia o cantor, eram só os intrumentos de corda. Moraes Moreira trouxe a voz para o trio. Mas só à partir de 1980, quando o trio ganhou qualidade de sonorização, com os amplificadores transistorizados do Trio Traz-os-Montes e também os Novos Baianos, é que esses encontros passaram a despertar mais a atenção do público.

O Trio do Traz-os- Montes, o de Armandinho Dodô & Osmar, o Tapajós, os Novo Baianos e mais tarde o Eva, Camaleão, Novos Bárbaros, Pinel, Beijo…  duelavam com seus cavaleiros armados com guitarras baianas. O público apreciava mais o guitarrista do que o cantor.

Pepeu Gomes, Aderson que era da Banda Scorpius e foi pro Eva, Missinho que entrou no lugar de Aderson na Banda Scorpius que virou Chiclete. Até Robertinho do Recife tocou por aqui. Mas ninguém se igualava ao maior dos mestres. O infalível, que nunca errava uma nota: o mestre Armando Macedo.

Stand Yamaha para a MotoFácil.

Stand MotoFácil Yamaha.

Essa foi a solução para a MotoFácil, concessionária Yamaha na cidade de Feira de Santana, montar seu stand no Shopping Iguatemi. Com dimensões de 3x2m e limite de altura por conta da visibilidade das lojas, focamos em mini totens, rampas e cores da marca.

Na imagem acima, o projeto e a foto do stand já montado. A peça foi aprovada por Cláudio Cotrin e Geraldo Albuquerque.

Ensaio Geral 2015 com Bell Marques.

Ensaio Geral do Camaleão - campanha 2015

Outdoor duplo para campanha do Ensaio Geral, na Praia do Forte, com o cantor Bell Marques. Será a primeira vez, em mais de 20 anos na história dessa tradicional festa, que o artista se apresentará em carreira solo.

As “mortalhas” invadiram o Circuito Shopping Barra.

Foto expo Irley - Pinel Y

Agora, dia 9 de março, termina a exposição de “mortalhas” no Shopping Barra, no Barra Gourmet, novo ambiente no primeiro piso.

São 38 peças em tamanho natural reproduzindo fotos das fantasias originais. Além das mortalhas, que predominam, coloquei outros estilos de fantasias desse período para contextualizar. “Macacões”, “kimonos”, além dos primeiros abadas e outras experiências, compõem o conjunto da exposição.

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Essa exposição não seria possível sem o apoio da Uranus 2 (Pedro Dourado, Eduardo Torreão, Michelle…), que produziu as peças; da  Skol, que também patrocinou; da NER e Durval Lelys pelo apoio junto a Ambev; do Shopping Barra, por ceder seu espaço (Gilson, Karina, Gabriela); de Manno Góes, Andrezão, Ricardo Chaves e todo o Alavontê, pela ideia e provocação do evento; de Luciene Maia (Central do Carnaval) por viabilizar as fotos das fantasias; de Ivan Erick, grande fotógrafo e parceiro; de Paulinho Sfrega, pelo apoio incondicional; de Tiago Nunes, Xaline, Irley, Vita e Tiago, Val, Bia, Luiza e Dudu, que foram nossos modelos voluntários; do jornal A Tarde, Eduardo e Renato Linhares; e, em especial, à minha mulher.

Confiram as fotos e até a próxima.

Foto Gabriela Simões - beijoMortalhasFoto Gabriela Simões

Fantasias do Cheiro III

Abadá Cheiro 2014 - Terça - baixa ok

Fantasia do Bloco Cheiro – Carnaval de Salvador 2014.

Fantasias Cheiro II

Abadá Cheiro 2014 - segunda - baixa ok

Fantasia Bloco Cheiro – Carnaval 2014.

“Merda pra vocês!”

Capa do disco "Sementes" Chiclete com Banana

Normalmente criadas pelos geniais Renatinho da Silveira e Nildão, as capas de discos da banda Chiclete com Banana eram obras de arte; suas ilustrações lúdicas e inteligentes  eram grande inspiração para mim quando ia decorar o Trio Elétrico do Chiclete naqueles anos 80. Mas essa capa do disco “Sementes”, ainda na era do vinil e das guitarras de Missinho, Jhonny e da percussão de Rubinho, foi uma exceção esdrúxula, quase cômica.

Nessa época, tinha uma relação próxima com Wadinho – tecladista, sócio do Chiclete e irmão de Bell. Era comum ele me apanhar de carro em casa para que fosse decorar seu trio elétrico no galpão que tinham na distante Cajazeiras 11, e, nessas “viagens”, o papo rolava solto: artistas, estratégias, marketing…

Um dia, com ares de urgência típica de quem tem um problemaço,  Wadinho aparece trazendo na mão uma foto, tipo lambe-lambe, do grupo Chiclete com Banana –  provavelmente tirada em algum daqueles estúdios que faziam fotos para carteira de identidade, família, etc – e me relatou seu drama: “Preciso de você, irmão: a gravadora pediu que enviasse a arte de uma capa para o novo disco ainda hoje.” Meio perplexo e sem entender, indaguei: e Nildão? “Está de férias na Europa”, disse Wadinho, e completou: “Bicho, preciso que você resolva isso para mim agora!”. Eu também tinha um enorme problemaço: no prédio onde morava, no antigo centro de Salvador, a tubulação do esgoto havia entupido na altura do 4º andar, e meu apartamento, que era no 5º, passou a receber todos os dejetos dos andares acima que, como num filme de terror, transbordavam pelos ralos e vasos. Literalmente, meu apartamento sofrera uma invasão merdiana. Como nessa época eu trabalhava em casa: mesa, tintas, pincéis, esquadros, réguas e toda a parafernália da era pré-digital estavam lá. Mas Wadinho nem quis saber: “Daremos um jeito, vamos nessa.” E lá fomos nós enfiados numas galochas de borracha participar daquela aventura.

Criar e finalizar uma capa numa tarde é difícil mesmo hoje com toda tecnologia. Imagine naquelas condições e com uma foto “meia boca” nas mãos. Antes da era digital, para obter qualidade, trabalhávamos com “cromos” e não fotos impressas em papel. Mas como não tinha outro jeito, sai recortando literalmente na tesoura, não só a foto, mas também umas imagens de sementes de um velho livro de ciências que achei em casa, além de papeis coloridos e os logos do Chiclete, gravadora, etc. Montei tudo com cola Tenaz sobre um cartolina que havia colorido com lápis de cera. O trabalho maior foi a marca do Chiclete que, fruto de uma xerox reduzida, tive que avivar com uma caneta nanquim. Tudo colado, tudo pronto, peguei uma cartela de LetraSet – quem lembra? – e transferi, letra por letra, o título “Sementes” e pensei: não acredito que estou fazendo isso. Na minha primeira oportunidade de fazer uma capa, fiz aquilo. E logo para quem, para o Chiclete, que tinha como referência capas maravilhosas da dupla Nildão e Renatinho. Tinha acabado de fazer uma capa “à facão”, no sentido mais fiel da expressão. Mas Wadinho achou tudo lindo e disse que não tinha mais tempo; era aquilo mesmo. Envelopamos e mandamos para a gravadora. Seja o que Deus quiser.

Caminho obrigatório para quem morava no Centro, passava todo dia pela Avenida Sete, onde as lojas “A Modinha” e “Akydiscos” costumavam ostentar as capas de disco em mostruários voltados para a rua. Um belo dia lá estava ela, olhando para mim; passei uns dois anos virando o rosto pro lado contrário das lojas afim de não ver aquilo. Mas ela continuava lá, insistente: é que  independente de minha indignação, o álbum foi um grande sucesso.

Desde quando ainda era Banda Scorpius, no bloco Traz os Montes entre 1979 a 1981, a Banda Chiclete com Banana sempre me surpreendeu: primeiro por fugir ao estereótipo do “artistão”, do “maluco beleza” tão em voga naquela época pós hippie; pontuais e profissionais, não havia espaço para o acaso. E segundo porque sempre vi os caras pensarem o grupo com uma visão de estratégia empresarial e mercadológica, algo inexistente na época por essas bandas. Lembro de que quando eles saíram do bloco Traz os Montes e eu fui decorar, pela primeira vez, um trio do próprio Chiclete, todos eles participavam ativamente carregando caixas de som, envolvidos com a parte sonora, eletrônica, estrutura da carroceria, iluminação e, para meu alívio, até na pintura me deram uma mãozinha.

Independente dos que torcem o nariz para a banda, o Chiclete é um caso de sucesso raro: são mais de 30 anos no topo. Para um grupo musical, isso é incomum em qualquer lugar do mundo.

Típica do meio teatral, a expressão “merda pra vocês!” significa o desejo de que determinado evento redunde em grande sucesso. A expressão tem origem na Europa do século 19, quando as peças teatrais que alcançavam grandes públicos, por conta do intenso tráfego de carruagens e cavalos, enchiam de estrume a frente dos teatros.

O título dessa postagem também traduz o desejo de sucesso, em suas novas caminhadas, para esses eternos ícones – gostem ou não – do carnaval baiano: Bell, Wadinho, Wilson, Rey, Denny e Valtinho.

Valeu, caras!

Um disco que mudou tudo.

Uma capa para história.

Quando Totó,  na minha opinião o maior empreendedor e visionário do carnaval baiano, resolveu produzir o primeiro disco da banda Pimenta de Cheiro – antigo nome da Banda Cheiro de Amor – certamente o mercado da música baiana era completamente diferente do que se tornaria alguns anos depois.

Esse disco acima, gravado com Márcia Freire no vocal e o maestro Zé de Henrique, teve produção local do selo Stalo, de Ricardo Cavalcanti, e foi o primeiro grande sucesso de um formato musical que mais tarde viria a ser conhecido como axé music.

Curiosamente, até a capa ser finalizada, a banda ainda se chamava Pimenta de Cheiro. Na hora de mandar produzir o vinil na gravadora Poligram, Totó, desesperado, me veio com a notícia bombástica de que alguém tinha registrado o nome da banda e ele não poderia mais utilizá-lo, a não ser que conseguisse negociar com o “dono” de registro, o que poderia levar tempo. Sugeri que colocasse, provisoriamente, o nome “Banda Cheiro de Amor”, numa alusão ao nome do bloco e ele topou. Um redator amigo meu, Bonetti, teve uma sacada genial e sugeriu que colocássemos “Pimenta de Cheiro” como nome artístico do álbum, um ardil para manter a associação com o nome original do grupo, enquanto a tal pendenga fosse resolvida. Terminou que o disco vendeu 30 mil cópias – número de sucesso para a época – e o nome da banda ficou pra sempre “Cheiro de Amor”.

Produzi essa foto com meu grande amigo e fotógrafo Carrilho, utilizando um pequeno cromo de 35 mm, sob a luz natural da rua, na Ladeira da Fonte. A pimenta foi comprada num mercado ali no Forte de São Pedro. Na verdade, pimentas, pois “o modelo” é resultado da junção de duas: talo de uma, corpo de outra. O teclado era um Korg e a tecla, para ficar rebaixada, prendíamos com fita durex.  A “armengagem” descolou umas 3 vezes, jogando a pimenta lá pro alto, e cada vez tínhamos que remontar tudo de novo. A verba era quase nada; o sol de Salvador, escaldante; a pressão, pior ainda, mas o trabalho ganhou o Troféu  Caymmi de “Melhor Capa”, e eu e o velho Carrilho rimos muito de tudo aquilo tomando uma branquinha, a de sempre.

A Primeira Festa da Década de 90 foi com Daniela.

1ª Festa da década de 1990 em Salvador com Daniela Mercury (Clici) e Banda Beijo.

Cartaz criado para a Rede Bahia no final de 1989, comemorando a nova década. Curiosamente, a última apresentação de Daniela Mercury ainda como integrante da banda Companhia Clic.

Na época, a Banda Beijo era comandada por Netinho.

A ilustração do marca “90” foi com aerógrafo. Naquele tempo ainda não tínhamos os photoshops; era tudo na mão grande, mesmo.

Pássaros.

Pássaros. 1999.Pássaros. Ilustração em vetor. 1999.

Um Curto Circuito.

Curto Circuito Carnaval de Trio Elétrico

Há uns 8 anos fiz esse estudo para um “mini circuito” a ser construído numa área distante de grandes centros. Inspirada no Carnaval de Salvador, a ideia tentava recriar alguns ambientes icônicos da festa baiana e sugerir outros que, além de servirem de “ponto” para as diversas tribos da folia, também prestassem uma justa homenagem a lugares, a exemplo de Itapuã, movimentos como a Tropicália e a personagens como a dupla Dodô & Osmar.