Arquivo da categoria: axé music

Axé, Bell.

Axé, Bell

Homenagem do Bloco Camaleão ao cantor Bell em seu primeiro ano comandando o bloco depois de assumir a carreira solo.

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A Bela e a Fera!

Outdoor A Bela e a Fera - Durval Lelys e Claudia Leitte.

Outdoor criado para a campanha de divulgação do Bloco CocoBambu no Carnaval de Salvador 2015.

Inspirado num clássico do cinema, a peça reforça o contraponto desses dois ícones da festa baiana: o irreverente “surfistão” Durval e Lelys e a performática e estilosa Claudia Leitte. Seus públicos também são opostos, tornando o CocoBambu um bloco distinto a cada dia, numa democracia momesca.

Contei também com o talento de Marianna Vilas Boas e a aprovação de Paulinho Xoxoto e Ricardo Lelis.

PS. esse título já tinha sido utilizado numa campanha do Crocodilo com Daniela Mercury em 1997.

CocoBambu by Claudia Leitte.

CocoBambu by Claudia Leitte

CocoBambu, tradicional bloco de carnaval em Salvador, traz a cantora Claudia Leitte para seu desfile da sexta-feira, no Circuito da Barra. Cada vez mais performática, a artista detem um público fiel de admiradores. Prova disso é a “invasão” do bloco, nesse dia, por uma multidão de fãs-foliões da “loura”. Sucesso absoluto!

Nos outros dois dias, quinta e sábado, a “invasão” do CocoBambu fica por conta dos seguidores do bróder Durval Lelys, agora, em seu primeiro carnaval assumindo a carreira solo.

Durval Lelys: Meu Verão acústico.

Durval lelys, CD Meu Verão.

O cantor Durval Lelys, que comandou a Banda Asa de Águia por 25 anos, acaba de gravar um CD acústico com músiclas clássicas do seu repertório e algumas inéditas. Pra quem gosta das conhecidas performances de Durval com violão e gaita, “Meu Verão” é um prato cheio.

A capa é uma homenagem ao eterno surfista da Barraca de Jajá, do Parracho e de tantas praias que marcaram a história e o público do nosso Durvalino.

Segue link das músicas: https://www.dropbox.com/sh/bz79zzew4tqjppv/AACYEhKyoIOF7cLcyAKYdLUza?dl=0

CarnaBahia, uma pintura daquele carnaval de 1981.

Trio Traz os Montes - fundo - baixa

Em 1981, o Carnaval de Salvador estava em plena everfescência: talentos surgiam naquele cenário musical proporcionado pelas novas tecnologias que permitiam o canto pleno num Trio Elétrico.  Lui Muritiba, Banda Scorpius –  com Bell, Aderson, Gato… e que depois virou Chiclete com Banana –  Gerônimo, Sarajane e tantos outros novatos se misturavam nas ruas com os já consagrados Morais Moreira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos com Pepeu, Baby e Paulinho Boca de Cantor, além, é claro, da família Macedo com o paizão de todos, Seu Osmar, e o impagável Armandinho e sua guitarra baiana.

Foi inspirado nesse inesquecível carnaval que fiz a pintura dessa foto na trazeira do Trio Elétrico do Traz-os-Montes, bloco pioneiro e revolucionário em toda essa história do recente carnaval baiano. Pintado com tinta esmalte sobre a chapa de metal do trio, era minha homenagem àquele momento mágico dessa terra em que nasci – aos artistas e aos blocos.

No mês que antecedia a folia, costumava ficar imerso por dias no galpão do bloco, lá no bairro do IAPI. Sujo de tinta até à medula, era um misto de decorador, carregador de caixa de som e “opinólogo geral”. Aliás, todos nós – técnicos de som, chapistas, diretores do bloco, eletricistas, motorista, músicos –  fazíamos de tudo. Pra dar um molho nessa festa, ao lado do galpão, tinha o nosso querido Satuba, que preparava uma moqueca de arráia especial acompanhada de uma batida de limão tipicamente baiana: com mel.

Valeu à pena.

Dom Bell.

Dom Bell I copy

Desde a primeira vez que estive com o cara, e lá se vão 34 anos – foi nos preparativos do Carnaval de 1980 – a imagem daquele barbudo magrelo não deixou dúvidas de que nada do que fazia era à toa. Numa manhã, com tinta dos pés à cabeça, dava os últimos retoques na pintura do trio elétrico do Bloco Traz-os-Montes, quando ele apareceu e se apresentou como integrante da Banda que iria tocar para o bloco. Em seguida me perguntou se dava para pintar, em algum lugar daquele trio, o nome dos integrantes do grupo.  Disse que sim e, prontamente, comecei a pintar nome por nome citado por ele: “Aderson, Gato, Rey, Wadinho…” e quando citou o dele, eu tasquei um “Béu”. Ele corrigiu na hora: “é com ‘L’ no final”. Passei o solvente e troquei as letras. Ele parou um instante, virou a cabeça de lado, como faz até hoje quando está idealizando, e disse: “ponha mais um ‘L’ ai no final. E pela primeira vez, tava lá, num trio, o nome “Bell”.  Até hoje tenho essa dúvida se ele decidiu por essa grafia naquela hora ou já se escrevia seu apelido assim. Mas naquele episódio ficou claro uma marca indelével dele: nada em sua carreira é por acaso, é tudo pensado estrategicamente.

Quando a Banda Scorpius saiu do Traz-os-Montes e partiu para construir seu próprio trio, agora já como Chiclete com Banana, Bell me convidou para decorá-lo. Ouvi de alguém que tomasse cuidado com a questão comercial, mas no primeiro dia de trabalho, quando acabei de estacionar minha TT 125cc ao lado do trio, ele apareceu e me passou um maço de dinheiro, pagando o acertado de uma só vez e antecipado. Indaguei se ele não queria ver primeiro o resultado e ele disse que não precisava, tinha certeza sairia legal. Surpreso, porque ninguém havia me pago antecipadamente por um serviço, comprei o leite do filhote recém nascido e fiz esse mesmo trabalho, decorar seu trio, pelos 10 anos seguintes.

Tive o privilégio de estar bem perto naquele início quando Bell era quase um cover de Moraes Moreira, como ele mesmo assumiu publicamente. Vi depois a banda seguir a trilha do “galope” – já com Missinho em lugar de Aderson, que foi o guitarra baiana do primeiro ano – e eu, particularmente, não curtia muito aquele ritmo acelerado. Sempre fui lerdo. Preferia o ijexá de Luiz Caldas, mais suingado e mais contemporâneo. Percebo que nesse período, por volta do final dos anos 1980, o Chiclete viveu um certo ostracismo, principalmente por conta de suas apresentações passarem a ser associadas a truculência de uns poucos e fanáticos seguidores. Nesse momento, a banda estava na contra mão do que acontecia nos principais eventos de Salvador: as festas que dariam origem a tal axé music.

Quando, por fim, o samba-regue entrou na banda, acho que com o hit “Eu Sou Camaleão, Sou Seu Amor…”, o Chiclete passou a acessar  outros públicos. Sua ida para o bloco “Qual é?”, alternativo no recém criado Circuito da Barra, também foi um sucesso que acelerou esse processo. Depois veio o bloco Nana Banana, que junto com o Camaleão, acabaram por consagrar a banda por mais duas décadas.

Já se passavam muitos carnavais que eu não curtia os dias de quinta, sexta e sábado por conta do exaustivo trabalho de decoração dos trios, quando naquele sábado de 1997, já livre do tranco, resolvi dar uma caminhada por uma Barra ainda muito tranqüila; sai de Ondina até a Barra sem ver um pé de bloco, trio ou qualquer coisa do gênero. De repente uma voz aparece do nada e, de forma quase mágica, vi todas aquelas pessoas se transformarem. O trio ainda nem aparecera, estava por trás do Edifício Oceania, mas as luzes já refletiam no antigo Farol a sinalizar a metamorfose. Em seguida a voz entoou, ainda sem o instrumental, “menina vem me dar seu amor…”. Daí pra frente foi uma apoteose. Eu, com todas as minhas restrições ao estilo galopeiro da banda, me rendi ao que ouvi e ao que vi. Fui pra casa e pintei um quadro – nunca pinto quadros e nem sei por onde anda esse – em homenagem ao que imaginei ser a reencarnação de Baco: o estrategista tinha virado o Deus da Folia.

Anos depois, numa premiação do carnaval, o Troféu Dodô & Osmar, promovido pelo Jornal A Tarde, vi uma multidão vaiar Bell durante sua premiação, enquanto ovacionavam Ivete. Pensei como podia alguém despertar tanta raiva, se ainda era seguido por multidões durante os carnavais. Meu sentimento era que havia virado politicamente correto criticá-lo: o Bell estrategista, está longe de ser um bom marqueteiro. Resolvi, então, fazer uma pesquisa Aqui no meu blog para avaliar melhor o que acontecia, e fiz a seguinte enquete: “Qual a Melhor Banda ou Artista da História da Axé Music?”. Levando-se em consideração que meu blog não é representativo  (temos pouco mais de 300 mil visualizações desde que o criei em maio de 2010) e que não tenho competência como pesquisador, nesses 3 anos que a enquete ficou disponível para votação, e ainda está, até o momento que escrevo esse post, recebeu exatos 1.392 votos.  O resultado foi  Chiclete em primeiro com 28,52% dos votos, seguidos de Ivete com 14,3, Asa com 12,64, Daniela com 11,57, Cheiro / Márcia Freire com 6,68, Claudia Leitte com 5,78, depois Luiz Caldas, Netinho, Banda Mel…  O resultado fala por si, e pode ser conferido na própria enquete, após efetuado um voto.

A partir de amanhã, Bell, o cara dos dois “eles”, enfrentará novos desafios. Há muito tempo não convivo mais próximo para avaliar se foi estratégica ou não, sua decisão de fazer carreira solo. Mas, certamente, já idealizou tudo, assim como há 34 anos.

À despeito dos que o amam ou odeiam, ninguém pode ignorar um sucesso tão longo; seja em qualquer circunstância ou em qualquer lugar do mundo. Há algo de especial, sim.

Desde a primeira vez que o vi, o achei parecido com aquela pintura clássica de Dom Pedro I. Por conta disso, fiz essa brincadeira acima. Vaidoso como ele é, talvez me xingue. Mas não tem como eu ignorar esse cara que começou junto comigo, num mesmo bloco e num mesmo carnaval. O sucesso dele, naquele já distante 1980, resultou na minha história. Sucesso, Dom Bell.

Dom Bell à rigor copy

Muito Alavontê…

alavontê de mortalha

Já havia tempo, não acontecia nada de novo por essas bandas de cá… mas calmaria não é pra vida toda; e o mediano só existe porque existe o que não é médio… e assim surge na cena musical pra pular baiana – como dizia seu Osmar – um sopro de brisa nova, apesar do vento ser já conhecido de outros carnavais. O Alavontê, grupo que reúne cantores, músicos, comunicadores… gente que já faz o carnaval há muito tempo ou mais recentemente, mas que se juntaram para zoar, curtir, fazerem do jeito que quiserem, sem pitacos, “à la vontê”. O resultado é um sucesso junto ao público cansado de pacotes prontos, de fórmulas anacrônicas, falsas, bregas… porque não são verdadeiras. A galera chega e canta, compõe, arranja, improvisa, dá muita risada, xinga, vive de verdade no palco e, como músicos, cantores, compositores, fazem arte, mas não teatro.

Manno Góes, Ricardo Chaves, Ramon Cruz, Durval Lelys, Magary Lord, Jonga Cunha, Andrezão e tantos outros que vão aparecendo e compondo esse palco, essa cena que não é uma banda, nem é um movimento, é só uma forma de se divertir de verdade e à vontade. Vale à pena ir. Red River, toda terça.

Na terça-feira que antecede a esse carnaval, o grupo está fazendo uma festança onde resgata a “mortalha”, fantasia que predominava antes do abada nas ruas do carnaval da Bahia. É o “Alavontê de Mortalha”, e todo mundo vai ter que ir à caráter. Mais à lá vontê, impossível.