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40 Carnavais de uma geração.

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Em 2017 completo 40 anos que trabalho para a área de eventos e o Carnaval de Salvador. Talvez, por isso, muitos me conheçam como o cara que inventou o abada. Lamento dizer, porém, que 90% do meu trabalho foi muito mais duro do que lúdico: foi de publicitário. E vida de publicitário é foda. Também atuei como designer para trios elétricos, palcos, capas de discos e CDs. Enfim, para quem conhece a área, uma vida correndo atrás da pauta, e do cliente.

Mas, como nem tudo são espinhos, tive o privilégio de vivenciar todo o frenesi cultural dos anos 80 e 90 em torno das festas em nossa cidade, o que, dentre outros subprodutos, gerou um monte de bandas e artistas da música carnavalesca baiana que, mais tarde, lá por 1991, passou a ser chamada de axé music.

Muito além dessas celebridades, porém, o Carnaval Baiano foi feito por foliões, e conviver com eles foi a maior alegria que tive nesses anos todos. Em especial com foliões embriagados de seus sonhos dionísicos numa terça-feira de carnaval de fundar um bloco. No popular: “botar seu bloco na rua!”.  Aqueles que não faliram no primeiro carnaval, depois de venderem o carro e torrarem o FGTS, se tornaram empreendedores. Alguns, com o tempo e o tempero da grana, tornaram-se mais empresários que foliões; mas a maioria nunca deixou de lado seus delírios momescos. Estes fizeram a diferença.

Também temos aqueles que, como eu, estiveram nos bastidores e contribuíram para formatar o maior produto de exportação baiano na segunda metade do século XX: a indústria do entretenimento – hoje tão copiada e disseminada pelo Brasil inteiro, em todos os gêneros musicais. Para quem pode estar achando que é exagero meu, basta citar nomes como João Américo, Jorge Correa, Wilson, Bira, Fernando, Marquinhos, André Rossi para lembrarmos que esses caras desenvolveram toda uma tecnologia inédita de som em cima de uma caminhão. Na produção de eventos, nomes como Totó, Tinho, Manoel Castro, Eudes, Simas e Sérgio Quixadá, Bahia, Quinho, Misael, Márcio, Isson, Julio Mota, Fred Boat, Marcelo Brasileiro, Ricardo Lelys, Armando, Luciene, Alice Coelho, Guto Brandão, Wilsinho, Ricardo Martins, Hunfrey, Jorginho Sampaio, Renato, Luneta, Bernardo, Alano, Luciano Sotelino, Ivanzinho, Paulista, Ari, Suka, Elmar, os irmãos Cal, Sfrega, Xoxoto, Cid do Cerveja, Cid Vianna, Buçanha, Lulinha, os Brunos, Rodrigo, Cascatas, Israel, Chiquinho…faltou um monte de gente, não dá pra falar todos… mas, fizeram escola.

Outra coisa inesquecível foi conviver com as gerações de foliões durante os maiores verões que essa cidade já viveu: anos 70, 80 e 90, quando a magia tomava conta das pessoas desde as festas que antecediam o carnaval  – Bonfim, ensaios dos blocos, encontros na Barra – até o ritual de pegar a fantasia. Tudo era mágico, até os comercias da tv… “…telebahia, fala meu irmão!”.

Mas isso é passado, bom pra quem viveu. Hoje, a bola da vez é o funk, o sertanejo e o pagodão. E vamos nessa!

Vamos lá: a Prefeitura de Salvador, através da Saltur, e com apoio da Skol, irá me prestar uma homenagem dia 18 de fevereiro, dia do Fuzuê, com um bloco de fanfarra onde um pequeno grupo de amigos e todos aqueles que quiserem se juntar à nós – é de graça –  vamos comemorar essa história de Ondina até a Barra.

No mesmo dia, mas antes do bloco, teremos um esquenta: a “Festa do Sarapa”, patrocinado por amigos, clientes e ex-clientes…

EXPOSIÇÃO. Durante o mês de fevereiro – acredito que a partir do dia 8 –  o Salvador Shopping me presenteou com uma mostra onde exponho criações desses 40 anos. Teremos centenas de cartazes antigos, capas de CDs e discos, abadas, mortalhas, projetos de trios elétricos e fotos. Será uma oportunidade para observarmos a evolução da produção do entretenimento em Salvador; desde o amadorismo dos cartazes feitos à mão no final dos anos 70 ao surgimento da tecnologia digital. Dos trios elétricos decorados à mão, com tinta, aos trios elétricos totalmente revestidos da tecnologia do Led. Também exporemos fantasias como as mortalhas, os macacões e os abadas.

AGRADECIMENTOS. Tudo isso só foi possível com o apoio de parceiros como Bruno Cássio que me tirou da inércia nessa história; de Isaac Edington e Eliana Dumet, da Saltur, que apostaram, junto com o Prefeito, nessa celebração; de Armando que tem sido um viabilizador geral; de Armandinho Brasil e do Salvador Shopping pela exposição; da AMBEV; de Clínio e de todos do Camarote Planeta Band que me cederam um espaço; de Paulinho Sfrega; de Alex, fiel escudeiro; Val Peruna, grande arquivo do carnaval… Eudes, Quinho, Renato, Guto Brandão, Misael e quem vier por que a tarefa é grande.

Eterna gratidão também a todos os designers, diretores de arte, redatores (as) e ilustradores com quem tive o privilégio de ter como colaborador na minha empresa. Beto Carrilho, Helderley, Irley, Ricardo Campelo, Rogério (redator), Samuka, Juliana, Katia Flávia, Rogèrio Tedesco, Éfren, Lauro Jr, Rodrigo Barros, Bruno Cássio, Gabi Dias, Alex Oliveira, Nelson Castro, Cícero, Gabriela Martinez, Patrick, Val Peruna, Henrique, Guto, Tiago Nunes, Mari Vilas e, (ainda faltam uns três) minha eterna secretária “Adriana”.

Obrigado a todos.

Uma vez Raul Seixas declarou de que não era um cantor, mas um ator. Pegando carona nesse nosso querido maluco beleza, diria que nunca fui publicitário, artista plástico ou designer. Só um contador de história; ilustrada.

 

 

CrocoFestas! Um cartaz para quem não trabalha.

Cartaz criado nos anos 90 para divulgação do Bloco Crocodilo com Ricardo Chaves. A inspiração foi o lado festivo dos baianos: uma festa para cada dia.

Cartaz Crocodilo 1994

Um Cristo dos anos 80

Um Cristo do século XX

Uma ilustração com a cara dos anos 80.

Pelos anos 80, acho que em 1984, fiz essa ilustração com canetas hidrográficas tipo Pilot. Revelador de um período nebuloso e ingênuo.

John Lenon, Andropov da URSS, Papa João Paulo, Ronald Reagan, Fernando José (radialista e depois prefeito de Salvador), uma palestina e outras imagens que povoavam minha cabeça naquela década… Revelador.

A ideia de injustiça, incompreendidos e manipulação da informação se repete em toda a história da humanidade. Era um pouco isso.

Camaleão e Bell, a festa continua!

Campanha Camaleão Bell MArques

Campanha promocional do Bloco Camaleão (+ o Bloco Vumbora) para o Carnaval de 2017, em Salvador.

O Reino do camarote.

Marca Camarote do Reino 2016

Quando criei essa marca para o Camarote do Reino comemorativa aos seus 10 anos, me dei conta de quanto tempo já temos em que os camarotes imperam no carnaval baiano. E olhe que o Camarote do Reino já surgiu bem depois de outros. Imagino que já se vão uns 15 ou 16 anos desde os primeiros grandes camarotes.

Para mim que nasci no Centro e vivenciei a essência do carnaval de rua – nunca fui sócio de clubes e, portanto, não frequentava seus bailes – o camarote soa estar numa sala com ar condicionado olhando a praia: você não fica debaixo do sol escaldante, não se mela de areia, mas também não mergulha, e tão pouco vai ter a possibilidade de socorrer a secretária ao lado de um “afogamento”. É tudo muito clean, sem a “chuva, suor e cerveja” tão típica de nossa festa. Mas, indiscutível, os camarotes cairam no gosto das novas gerações. Assim como o sertanejo, o pagode… o tempo é camaleônico.

Mas voltando ao Camarote do Reino, eles foram pioneiros em trazer grandes shows para dentro de seu espaço – hoje, todos copiam. Também sempre muito cuidadosos com o espaço de circulação, a visibilidade da rua e os serviços. O Reino inovou desde o início com aquela ideia genial da passarela para os artistas dos trios. É, sem dúvida, um produto top dentre os camarotes. E viva o Reino!

Em tempo, para quem curte saber essas coisas, a marca foi ilustrada por esse dinossauro que vos fala, num Corel Draw X5.

Camaleão camuflado – na gaveta

Camaleão Camuflado
Qualquer cidadão que trabalhe – ou trabalhou – no campo da criação, sabe do que vou falar: as ideias que se descartam, se perdem ou se esquecem nas gavetas – hoje virtuais.

Toda vez que por motivos profissioanais faço alguma busca nos arquivos, termino por encontrar algo que nem mais lembrava que havia criado. Na maioria das vezes só dou uma olhada e retomo à minha atividade. Às vezes, como agora, resgato e posto.

Era uma fantasia para o Bloco Camaleão, mas depois, nem o cliente, nem eu achamos legal. O camaleão mais parecia uma lagartixa. Passado mais de 10 anos, achei a lagartixa muito simpática e resolvi dar vida a ela; mesmo que só uma vida virtual. Vai pro mundo, vai…

CarnaBahia, uma pintura daquele carnaval de 1981.

Trio Traz os Montes - fundo - baixa

Em 1981, o Carnaval de Salvador estava em plena everfescência: talentos surgiam naquele cenário musical proporcionado pelas novas tecnologias que permitiam o canto pleno num Trio Elétrico.  Lui Muritiba, Banda Scorpius –  com Bell, Aderson, Gato… e que depois virou Chiclete com Banana –  Gerônimo, Sarajane e tantos outros novatos se misturavam nas ruas com os já consagrados Morais Moreira, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos com Pepeu, Baby e Paulinho Boca de Cantor, além, é claro, da família Macedo com o paizão de todos, Seu Osmar, e o impagável Armandinho e sua guitarra baiana.

Foi inspirado nesse inesquecível carnaval que fiz a pintura dessa foto na trazeira do Trio Elétrico do Traz-os-Montes, bloco pioneiro e revolucionário em toda essa história do recente carnaval baiano. Pintado com tinta esmalte sobre a chapa de metal do trio, era minha homenagem àquele momento mágico dessa terra em que nasci – aos artistas e aos blocos.

No mês que antecedia a folia, costumava ficar imerso por dias no galpão do bloco, lá no bairro do IAPI. Sujo de tinta até à medula, era um misto de decorador, carregador de caixa de som e “opinólogo geral”. Aliás, todos nós – técnicos de som, chapistas, diretores do bloco, eletricistas, motorista, músicos –  fazíamos de tudo. Pra dar um molho nessa festa, ao lado do galpão, tinha o nosso querido Satuba, que preparava uma moqueca de arráia especial acompanhada de uma batida de limão tipicamente baiana: com mel.

Valeu à pena.

As “mortalhas” invadiram o Circuito Shopping Barra.

Foto expo Irley - Pinel Y

Agora, dia 9 de março, termina a exposição de “mortalhas” no Shopping Barra, no Barra Gourmet, novo ambiente no primeiro piso.

São 38 peças em tamanho natural reproduzindo fotos das fantasias originais. Além das mortalhas, que predominam, coloquei outros estilos de fantasias desse período para contextualizar. “Macacões”, “kimonos”, além dos primeiros abadas e outras experiências, compõem o conjunto da exposição.

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Essa exposição não seria possível sem o apoio da Uranus 2 (Pedro Dourado, Eduardo Torreão, Michelle…), que produziu as peças; da  Skol, que também patrocinou; da NER e Durval Lelys pelo apoio junto a Ambev; do Shopping Barra, por ceder seu espaço (Gilson, Karina, Gabriela); de Manno Góes, Andrezão, Ricardo Chaves e todo o Alavontê, pela ideia e provocação do evento; de Luciene Maia (Central do Carnaval) por viabilizar as fotos das fantasias; de Ivan Erick, grande fotógrafo e parceiro; de Paulinho Sfrega, pelo apoio incondicional; de Tiago Nunes, Xaline, Irley, Vita e Tiago, Val, Bia, Luiza e Dudu, que foram nossos modelos voluntários; do jornal A Tarde, Eduardo e Renato Linhares; e, em especial, à minha mulher.

Confiram as fotos e até a próxima.

Foto Gabriela Simões - beijoMortalhasFoto Gabriela Simões

“Merda pra vocês!”

Capa do disco "Sementes" Chiclete com Banana

Normalmente criadas pelos geniais Renatinho da Silveira e Nildão, as capas de discos da banda Chiclete com Banana eram obras de arte; suas ilustrações lúdicas e inteligentes  eram grande inspiração para mim quando ia decorar o Trio Elétrico do Chiclete naqueles anos 80. Mas essa capa do disco “Sementes”, ainda na era do vinil e das guitarras de Missinho, Jhonny e da percussão de Rubinho, foi uma exceção esdrúxula, quase cômica.

Nessa época, tinha uma relação próxima com Wadinho – tecladista, sócio do Chiclete e irmão de Bell. Era comum ele me apanhar de carro em casa para que fosse decorar seu trio elétrico no galpão que tinham na distante Cajazeiras 11, e, nessas “viagens”, o papo rolava solto: artistas, estratégias, marketing…

Um dia, com ares de urgência típica de quem tem um problemaço,  Wadinho aparece trazendo na mão uma foto, tipo lambe-lambe, do grupo Chiclete com Banana –  provavelmente tirada em algum daqueles estúdios que faziam fotos para carteira de identidade, família, etc – e me relatou seu drama: “Preciso de você, irmão: a gravadora pediu que enviasse a arte de uma capa para o novo disco ainda hoje.” Meio perplexo e sem entender, indaguei: e Nildão? “Está de férias na Europa”, disse Wadinho, e completou: “Bicho, preciso que você resolva isso para mim agora!”. Eu também tinha um enorme problemaço: no prédio onde morava, no antigo centro de Salvador, a tubulação do esgoto havia entupido na altura do 4º andar, e meu apartamento, que era no 5º, passou a receber todos os dejetos dos andares acima que, como num filme de terror, transbordavam pelos ralos e vasos. Literalmente, meu apartamento sofrera uma invasão merdiana. Como nessa época eu trabalhava em casa: mesa, tintas, pincéis, esquadros, réguas e toda a parafernália da era pré-digital estavam lá. Mas Wadinho nem quis saber: “Daremos um jeito, vamos nessa.” E lá fomos nós enfiados numas galochas de borracha participar daquela aventura.

Criar e finalizar uma capa numa tarde é difícil mesmo hoje com toda tecnologia. Imagine naquelas condições e com uma foto “meia boca” nas mãos. Antes da era digital, para obter qualidade, trabalhávamos com “cromos” e não fotos impressas em papel. Mas como não tinha outro jeito, sai recortando literalmente na tesoura, não só a foto, mas também umas imagens de sementes de um velho livro de ciências que achei em casa, além de papeis coloridos e os logos do Chiclete, gravadora, etc. Montei tudo com cola Tenaz sobre um cartolina que havia colorido com lápis de cera. O trabalho maior foi a marca do Chiclete que, fruto de uma xerox reduzida, tive que avivar com uma caneta nanquim. Tudo colado, tudo pronto, peguei uma cartela de LetraSet – quem lembra? – e transferi, letra por letra, o título “Sementes” e pensei: não acredito que estou fazendo isso. Na minha primeira oportunidade de fazer uma capa, fiz aquilo. E logo para quem, para o Chiclete, que tinha como referência capas maravilhosas da dupla Nildão e Renatinho. Tinha acabado de fazer uma capa “à facão”, no sentido mais fiel da expressão. Mas Wadinho achou tudo lindo e disse que não tinha mais tempo; era aquilo mesmo. Envelopamos e mandamos para a gravadora. Seja o que Deus quiser.

Caminho obrigatório para quem morava no Centro, passava todo dia pela Avenida Sete, onde as lojas “A Modinha” e “Akydiscos” costumavam ostentar as capas de disco em mostruários voltados para a rua. Um belo dia lá estava ela, olhando para mim; passei uns dois anos virando o rosto pro lado contrário das lojas afim de não ver aquilo. Mas ela continuava lá, insistente: é que  independente de minha indignação, o álbum foi um grande sucesso.

Desde quando ainda era Banda Scorpius, no bloco Traz os Montes entre 1979 a 1981, a Banda Chiclete com Banana sempre me surpreendeu: primeiro por fugir ao estereótipo do “artistão”, do “maluco beleza” tão em voga naquela época pós hippie; pontuais e profissionais, não havia espaço para o acaso. E segundo porque sempre vi os caras pensarem o grupo com uma visão de estratégia empresarial e mercadológica, algo inexistente na época por essas bandas. Lembro de que quando eles saíram do bloco Traz os Montes e eu fui decorar, pela primeira vez, um trio do próprio Chiclete, todos eles participavam ativamente carregando caixas de som, envolvidos com a parte sonora, eletrônica, estrutura da carroceria, iluminação e, para meu alívio, até na pintura me deram uma mãozinha.

Independente dos que torcem o nariz para a banda, o Chiclete é um caso de sucesso raro: são mais de 30 anos no topo. Para um grupo musical, isso é incomum em qualquer lugar do mundo.

Típica do meio teatral, a expressão “merda pra vocês!” significa o desejo de que determinado evento redunde em grande sucesso. A expressão tem origem na Europa do século 19, quando as peças teatrais que alcançavam grandes públicos, por conta do intenso tráfego de carruagens e cavalos, enchiam de estrume a frente dos teatros.

O título dessa postagem também traduz o desejo de sucesso, em suas novas caminhadas, para esses eternos ícones – gostem ou não – do carnaval baiano: Bell, Wadinho, Wilson, Rey, Denny e Valtinho.

Valeu, caras!

Um disco que mudou tudo.

Uma capa para história.

Quando Totó,  na minha opinião o maior empreendedor e visionário do carnaval baiano, resolveu produzir o primeiro disco da banda Pimenta de Cheiro – antigo nome da Banda Cheiro de Amor – certamente o mercado da música baiana era completamente diferente do que se tornaria alguns anos depois.

Esse disco acima, gravado com Márcia Freire no vocal e o maestro Zé de Henrique, teve produção local do selo Stalo, de Ricardo Cavalcanti, e foi o primeiro grande sucesso de um formato musical que mais tarde viria a ser conhecido como axé music.

Curiosamente, até a capa ser finalizada, a banda ainda se chamava Pimenta de Cheiro. Na hora de mandar produzir o vinil na gravadora Poligram, Totó, desesperado, me veio com a notícia bombástica de que alguém tinha registrado o nome da banda e ele não poderia mais utilizá-lo, a não ser que conseguisse negociar com o “dono” de registro, o que poderia levar tempo. Sugeri que colocasse, provisoriamente, o nome “Banda Cheiro de Amor”, numa alusão ao nome do bloco e ele topou. Um redator amigo meu, Bonetti, teve uma sacada genial e sugeriu que colocássemos “Pimenta de Cheiro” como nome artístico do álbum, um ardil para manter a associação com o nome original do grupo, enquanto a tal pendenga fosse resolvida. Terminou que o disco vendeu 30 mil cópias – número de sucesso para a época – e o nome da banda ficou pra sempre “Cheiro de Amor”.

Produzi essa foto com meu grande amigo e fotógrafo Carrilho, utilizando um pequeno cromo de 35 mm, sob a luz natural da rua, na Ladeira da Fonte. A pimenta foi comprada num mercado ali no Forte de São Pedro. Na verdade, pimentas, pois “o modelo” é resultado da junção de duas: talo de uma, corpo de outra. O teclado era um Korg e a tecla, para ficar rebaixada, prendíamos com fita durex.  A “armengagem” descolou umas 3 vezes, jogando a pimenta lá pro alto, e cada vez tínhamos que remontar tudo de novo. A verba era quase nada; o sol de Salvador, escaldante; a pressão, pior ainda, mas o trabalho ganhou o Troféu  Caymmi de “Melhor Capa”, e eu e o velho Carrilho rimos muito de tudo aquilo tomando uma branquinha, a de sempre.

A Primeira Festa da Década de 90 foi com Daniela.

1ª Festa da década de 1990 em Salvador com Daniela Mercury (Clici) e Banda Beijo.

Cartaz criado para a Rede Bahia no final de 1989, comemorando a nova década. Curiosamente, a última apresentação de Daniela Mercury ainda como integrante da banda Companhia Clic.

Na época, a Banda Beijo era comandada por Netinho.

A ilustração do marca “90” foi com aerógrafo. Naquele tempo ainda não tínhamos os photoshops; era tudo na mão grande, mesmo.

Dodô: 100 anos do inventor da Guitarra Baiana.

Dodô, 100 anos do inventor da Guitarra Baiana.

Fosse ele um gringo, seria mundialmente famoso: Adolfo Nascimento, mais conhecido como Dodô, se vivo estivesse, completaria 100 anos. Inventor da Guitarra Baiana – ou da própria guitarra, já que ocorreu no mesmo período do outro inventor, o americano Fender – seu invento inspirou artistas como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Armandinho, Pepeu Gomes, Luiz Caldas e toda uma geração surgida em cima do trio elétrico. Seria uma justa homenagem ser seu centenário tema do próximo carnaval.

Dodô também foi o criador do Trio Elétrico, junto com seu parceiro Osmar Macedo.

A origem da expressão “Axé Music”.

Capa do disco Axé Music da Banda Beijo em 1991.

Capa do disco Axé Music da Banda Beijo em 1991.

Primeira a utilizar e assumir a expressão “axé music” para representar um estilo musical, em 1991, a Banda Beijo se inspirou nas criticas que o jornalista e critico musical Hagamenon Brito fazia às bandas e artistas com origem no carnaval de Salvador.

Hagamenon, em sua coluna semanal no Correio da Bahia, não perdoava aquele estilo musical ao qual, pejorativamente, se referia como “axé music”.

Numa reunião para definir a capa e nome do novo disco da Banda Beijo, sugeri batizar o novo trabalho com a tal expressão; seria uma forma de tratar a critica com humor e ousadia; para minha surpresa, Misael Tavares, Ricardo Cavalcante e Netinho, empresário, produtor e cantor, respectivamente, aprovaram a ideia. Como aquele “disco” foi um sucesso nacional, a expressão “axé music” ganhou notoriedade pelo país – que não conhecia a versão pejorativa – e terminou por intitular todo aquele movimento surgido em cima dos trios elétricos e nas festas do Bahiano de Tênis, Circo Troca de Segredos e Clube Espanhol.

A imagem da capa acima, mostrando o selo circular na parte de baixo, com as palavras “axé music”, comprovam esse fato. Utilizamos, inclusive, esse selo na decoração do Trio Elétrico do Bloco Beijo no carnaval do ano seguinte.

Trio Beijo Coca-Cola 1992

Trio do Beijo no carnaval de 1992

Gudes.

 

GudeGudes. Ilustração em vetor, 1999.

(chão de terra molhada)

Peão.

Peão.

Peão. Ilustração em vetor, 1999.

(memória equilibrista)